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Didática magna tratado da arte universal de ensinar tudo a todos

 

Didática magna

A influência de Joan Amos Comenius vai muito além de criar um método de ensino. Sua ideia mais radical é a concepção de que o ensino deve ser estendido a todos. Seu pensamento era muito avançado para a época, pois pregava que não deveria haver distinção social ou de gênero, colocando a educação como um valor universal. Notória é a sua defesa de que as mulheres devem ser educadas assim como os homens! Imaginem uma ideia tão avançada como essa no século XVII. Ele não foi o primeiro a defender esse preceito, pois não podemos esquecer a defesa pela educação das mulheres que Platão faz no livro VI da República.

Sua obra se ampara na sua formação religiosa, protestante, e suas ideias são fundamentadas através de passagens bíblicas. Desse modo, seus argumentos se tornam convincentes para a sociedade europeia da época, dividida entre católicos e protestantes. A universalização da educação seria, portanto, coerente com o projeto divino, cuja finalidade é a felicidade do homem. Através da noção de sabedoria, encontrada em vários momentos dos textos sagrados e da habilidade de Cristo de ensinar, demonstra ao leitor que aprender faz parte dos planos de Deus (2001, p. 81).

Para Comenius, a principal finalidade da educação é a humanização. A aquisição de conhecimentos seria um dos mecanismos mais eficientes para acalmar os apetites violentos dos seres humanos. Antes mesmo de Rousseau, Comenius aponta para o fato de que a educação deve ser iniciada na infância e atravessar todo o período de formação, até que o infante se torne adulto. Sua concepção de educação é totalizante, ou seja, educar não deve se restringir apenas à arte de transmitir conhecimentos, mas é a responsável pelo desenvolvimento moral do indivíduo. Educar é, portanto, mais que ensinar e, neste sentido, critica as práticas de ensino que exercitam a memória, com a finalidade de que os discípulos ou alunos apenas repitam ideias sem compreendê-las ou senti-las. Mais que isso, a educação deve levar à produção do conhecimento e não se restringir a uma mera repetição.

Além da universalização do ensino, outro aspecto importante da obra de Comenius é a afirmação de que a criança deve ser educada na escola. Mais adiante discutiremos a criação do espaço escolar e retomaremos alguns aspectos da preocupação de Comenius. Por ora, basta lembrar que educar ainda era, no século XVII, fruto de uma iniciativa particular, dos interesses burgueses, e a maior parte dos jovens eram educados em casa e por tutores, padres ou filósofos. Para Comenius, a escola abrigaria a todos, independentemente de suas origens, e através dela iria se realizar a igualdade dos homens perante Deus.

O terceiro aspecto fundamental de sua obra é do papel que deve desempenhar a disciplina. Embora admita que o ensino deva ser organizado em classes como faziam os jesuítas, recrimina a disciplina rígida por eles empregada. Conforme o princípio empirista, a criança deve se acostumar à escola, por isso, quando pequena, deve passar apenas uma pequena parte do dia na escola e esta deve ser agradável a ela. Aprender deve ser então semelhante a brincar. Nesse sentido, Comenius antecipa as práticas que serão defendidas no século XIX por Froebel. Supõe, portanto, que devem ser desenvolvidos materiais especiais para o trato das crianças, que as façam passar dos conteúdos mais fáceis aos mais difíceis de modo tranquilo e sem violência.

A tese de Comenius é precursora de inúmeras lutas que defendemos hoje e que podem ser resumidas pela palavra inclusão. O filósofo inicia o debate sobre aplena extensão do direito à educação.


Fonte: Aula 01 - Fundamentos da didática primeiros pensadores (UFERSA – Letras)

Michel Montaigne pedagogia e ceticismo

Michel Montaigne

Anteriormente a Comenius, Michel de Montaigne (1533-1592) escreveu uma obra chamada Ensaios, na qual expressava sua preocupação com a formação do homem universal. A educação formativa passa então a ser um dos temas a figurar na sua obra. O filósofo percebe que, nos tempos modernos, a formação do homem não pode se restringir a uma arte específica, como ser guerreiro ou artesão, ao modelo das sociedades antigas. Quando trata da educação, Montaigne enfatiza a necessidade de ensinar de tudo para que os indivíduos possam vislumbrar o conhecimento. Segundo Celso Filho (2012), a ideia de homem universal de Montaigne propõe a preparação do indivíduo para o mundo, querendo dizer com isso que ele deve estar preparado para tudo.

A diferença fundamental de Montaigne em relação a Comenius está no fato de que Montaigne, pertencente ao círculo católico da Europa, pensa a educação para os nobres, respeitando a hierarquia social de época. No entanto, suas reflexões não deixam de trazer contribuições para pensar a arte de ensinar. Preocupado com a formação moral, típico pensamento de sua época, vê no comportamento dos camponeses, aferrados ao trabalho e tementes a Deus, um modelo de conduta que se opõe a arrogância dos nobres e burgueses do século XVI. Herdeiro do humanismo renascentista que admira o mundo grego e das práticas medievais de ensino, traçou um caminho de crítica a estas influências, buscando um novo caminho para a formação do homem.

Com relação aos procedimentos de ensino, condena o pensamento dogmático, cuja finalidade seria preencher as mentes humanas com verdades inquestionáveis, as quais não trazem nenhuma contribuição para o desenvolvimento do conhecimento. Mais uma vez a memorização e a repetição são rechaçadas como um vício herdado dos antigos que deve ser superado. Influenciado pelo empirismo, critica o modelo aristotélico de ensino deixado pelos medievais e propõe que a educação seja guiada pelo espírito investigativo e incentivada pela prática, para a qual a teoria deve ser aprendida. Para Celso Filho (2012), Montaigne antecipa a ideia de que a teoria deve ser aliada à prática, assim como desenvolve um método humanista de ensino que, longe de endossar o humanismo cristão que inspirou o rigor dos jesuítas, defende a postura cética, através da qual a busca do conhecimento deve ser constante e passível de reformulação.

Suas contribuições não param por aí e poderíamos escrever esta aula inteira sobre suas ideias, mas vamos apresentar apenas mais uma que consideramos fundamental: a educação deve preparar o homem para reconhecer a sua própria condição.

Embora pareça uma faceta da máxima socrática “conhece-te a ti mesmo”, Montaigne aponta para a função política da educação, a de propiciar ao homem a consciência, patamar que o permite caminhar em direção à verdadeira liberdade. Livre será o homem que sabe sobre si e compreende o lugar que habita. Esse pressuposto de Montaigne abre os caminhos para a emancipação política e preconiza a ideia de que somente através da educação será possível participar do governo político. O primeiro governo é o de si mesmo, saber se orientar num mundo novo e, em seguida, decidir coletivamente. Mas isso é papo para outro momento histórico, pois temos que esperar a Revolução Francesa, que levará 200 anos para chegar!

Mas nem tudo são flores na obra do filósofo. Ao criticar a educação erudita, que apenas se baseia na memorização de textos e falas dos sábios da antiguidade, Montaigne fala da superioridade da boa educação, aquela que prepara para o mundo. Seu tom, próprio da linguagem nobiliárquica, chega próximo ao discurso preconceituoso, pelo qual aqueles que são educados são superiores aos que não o são. Sua obra acabou sendo conhecida pelo conceito de pedantismo, nome dado a um de seus textos, no qual trata da diferença entre erudição e sabedoria. Nesta obra ele condena a erudição, por considerá-la fruto da memorização, constituindo-se como um saber específico e sem vida. A sabedoria, por sua vez, seria a reunião de tantos conhecimentos quantos forem úteis e necessários para a aplicação na vida. A boa educação busca, portanto, a sabedoria e nãoa erudição. De qualquer forma, a palavra pedantismo, que à época significava “o fazer daquele que acompanha”, prática do pedagogo, acabou por figurar no vocabulário comum de forma negativa, referindo-se àquele que retém conhecimentos inúteis e se gaba deles.

Comenius e Montaigne partilham do espírito de época que vê no conhecimento a finalidade maior da humanidade e através dele a possibilidade de construir um mundo melhor. Por mais utópicas que essas ideias pareçam, elas foram fundamentais para construir o mundo em que vivemos hoje e ainda indicam problemas e caminhos que tentamos resolver e perseguir.


Aula 01 - Fundamentos da didática primeiros pensadores (UFERSA – Letras)

Immanuel Kant a pedagogia

 

Immanuel Kant

No século XVIII, a Revolução Francesa abriu as portas da Europa para outro tipo de humanismo, já que o humanismo cristão e o renascentista estavam mais preocupados com o ideal de homem que se queria criar: santos e heróis. Agora se pensa nas necessidades dos homens comuns, os quais precisam viver a vida real e não o futuro imaginado ou desejado do pós-vida ou das gerações futuras. A Revolução Francesa expôs os males da pobreza, da fome, da doença, que são muito mais emergentes do que o homem universal ou o homem sábio de Comenius e Montaigne.

Mas uma certeza permanece entre os modernos: a educação é capaz de propiciar uma melhora para a humanidade. Essa verdade, aceita por todos os pensadores da época, não só manteve a educação no centro das discussões sobre a organização da sociedade moderna como acentuou a necessidade de que as formas de educar fossem discutidas e ensinadas. Afinal, era preciso preparar homens que fossem capazes de ensinar. Por isso, ao fim do século, foram criadas as cadeiras de pedagogia nas universidades europeias, com a finalidade de que os egressos estivessem aptos a lecionar.

Immanuel Kant, filósofo prussiano (Alemanha), que nós já conhecemos em Filosofia da Educação, foi responsável pelo ensino de pedagogia na universidade de Colônia. Durante o período em que lecionou essa cadeira, deixou alguns apontamentos que foram publicados e se tornaram referência para pensar a arte de ensinar. Embora suas ideias possam ser classificadas como parte do ensino tradicional, sua contribuição tem sido reconsiderada pelos historiadores da educação.

Influenciado por Rousseau, Kant é um defensor da liberdade e considera que a educação tem por finalidade melhorar o homem. Entretanto, atingir a liberdade é uma tarefa difícil, pois exige que a reconheçamos racionalmente, o que significa compreender que a liberdade não pode entrar em contradição com a obrigatoriedade do dever. O filósofo vive num período em que estão ocorrendo inúmeras modificações na política, nas quais está em jogo a possibilidade da escolha das leis. Sua filosofia, que pretendeu compreender os limites da razão humana, parte do pressuposto de que existe uma regularidade em todas as coisas, seja na natureza, seja no funcionamento da mente humana. Nesse sentido, a educação deve ser concebida em conformidade a este princípio: é preciso descobrir como funciona o aprendizado e, a partir das regularidades desse processo, desenvolver um método de ensino. É fato entre os iluministas que aprender faz parte da natureza humana, é uma tendência natural, mas a pedagogia tem a finalidade de descobrir como tornar o aprendizado mais eficiente.

 

Para Kant, a liberdade é expressa na vida prática como autonomia, capacidade de fazer escolhas racionais. Mas, para isso, é preciso disciplinar as vontades individuais. Assim como Rousseau, que tratou a vontade como um elemento principal do caminho político, Kant construiu um caminho que tem por finalidade conciliar a vontade individual com o bem coletivo. A autonomia se constitui como um processo de aprendizado do uso da razão, a qual, por sua natureza lógica, reconhece o bem de todos como uma verdade.

Segundo Vera Bueno (2012), Kant propõe uma educação que prepara a criança para realizar o que é próprio da natureza humana: pensar. Assim como Montaigne e Comenius, recusa a memorização e a erudição como métodos que preparem o homem para a vida em sociedade. Sua concepção sobre a arte de ensinar compreende quatro etapas: a disciplina, a cultura, a civilidade e a moralidade.

Atento ao fato de que a natureza humana é composta da parte física e do intelecto, a educação deve atuar sobre essas duas instâncias. As três primeiras etapas referem-se à educação do corpo, sendo a disciplina direcionada especificamente à criança pequena. Esta deve ir para a escola para acostumar-se com o ambiente escolar e não para aprender conteúdos. Defende ainda que o educador deve apenas estar presente para evitar que elas se machuquem, pois a própria natureza racional da criança, típica da espécie humana, a impulsiona a aprender por si mesma e pelo convívio com os demais. Kant privilegia a ideia de liberdade enquanto autonomia, ou seja, a criança desde pequena deve ser livre para escolher e perceber as consequências de suas escolhas, entendendo o outro como limite para a sua ação.

É preciso, diz Kant, sobretudo cuidar para que a disciplina não trate as crianças como escravos, mas sim que faça que elas sintam sempre a sua liberdade, mas de modo a não ofender aos demais: daí que devam encontrar resistência. (KANT apud BUENO, 2012, p. 172).

No que tange à cultura, vale ressaltar que a palavra se refere ao verbo cultivar e não à erudição como estamos acostumados em língua portuguesa. Kant propõe que a criança brinque e pratique jogos, no modelo do que hoje chamamos de Educação Física. Consoante à ideia de que a educação do corpo precede a educação da mente, a atividade desportiva seria capaz de cultivar na criança sentimentos e habilidades que lhes serão úteis na vida e a preparariam para o uso da razão, como segurança, rapidez, capacidade de perceber e decidir. Essas habilidades serão úteis para o aprendizado da ciência, introduzindo noções como proporção, distância e grandeza. Além do mais, os jogos forçam as crianças a aprender o convívio social, a compreender as regras e a respeitá-las.

Quanto à civilidade, embora ele se refira como educação do corpo, entende que é o aprendizado das letras (ler e escrever) e das artes (tocar instrumentos). Escrever e tocar instrumentos, principalmente, dizem respeito ao controle do corpo e das emoções, o que prepara o homem para viver em sociedade, a conter seus impulsos e desenvolver a gentileza. Por último, a moralidade diz respeito à capacidade de fazer escolhas, compreendendo que a finalidade da razão é a ação boa.

Embora as ideias de Kant pareçam estranhas, principalmente porque seu vocabulário emprega as palavras num sentido muito diferente do que estamos acostumados, suas ideias inspiraram teóricos como Piaget, que acabamos de estudar em Psicologia da Aprendizagem. Repare como as quatro fases indicadas por Kant estão relacionadas aos quatro estágios do desenvolvimento cognitivo que estudamos em Psicologia da Aprendizagem.

No início deste tópico, dissemos que Kant muitas vezes aparece nos manuais de pedagogia como um teórico da escola tradicional, mas, quando compreendemos o uso de seu vocabulário, percebemos que suas ideias na verdade criticam os métodos da escola tradicional. Ao recusar a memorização e o castigo como elementos fundamentais do ensino, ele se alia aos renovadores. Sua postura conservadora reside no fato de que ele nos apresenta uma ideia essencialista do ser humano, ou seja, de que o homem é um ser racional e que tudo deve convergir para o desenvolvimento da razão. Entretanto, devemos ressaltar que essa também é uma visão simplista, pois, para quem conhece a obra do filósofo, é clara a ideia de que ele contribuiu, em sua Crítica à Razão, para desmistificar a ideia de que o conhecimento verdadeiro é o conhecimento das essências, como acreditava Platão.

Ao afirmar a racionalidade do ser humano, Kant quer enfatizar a possibilidade de agir em prol do bem da humanidade, em prol da transformação social. É com esse espírito que ele escreveu sobre a possibilidade de paz perpétua, entre várias de suas obras que incitam à busca de uma sociedade melhor.


Aula 01 - Fundamentos da didática primeiros pensadores (UFERSA – Letras)

Mecanismos de articulação textual

 

Mecanismos de articulação textual

O ato de escrever deve ser tão natural como a ação de falar, pois são atividades de interação social. Quando escrevemos, estamos, ao mesmo tempo, fazendo uma troca de informações ou ideias com alguém. Por esse motivo, a escrita exige que o autor conheça seu interlocutor, ou seja, para quem o texto foi escrito.

É importante ressaltar, ainda, que alguns critérios são levados em consideração no momento em que se escreve um texto, dentre eles: o desenvolvimento das ideias e a distribuição dos tópicos, a seleção das palavras, a contextualização e o estilo.

Esses mecanismos linguísticos e extralinguísticos (chamados também de fatores pragmáticos) estabelecem a conectividade e retomada do que foi escrito ou dito. Esses são chamados de referentes textuais, que buscam garantir a coesão textual para que haja coerência não apenas entre os elementos que compõem a oração, como também entre a sequência de orações dentro do texto.

Beaugrande e Dressler (1983, apud Costa Val, 1999) apresentam um conjunto de sete mecanismos constitutivos da textualidade:

• A coerência e a coesão, critérios textuais;

• A intencionalidade, a aceitabilidade, a situacionalidade, a informatividade e a intertextualidade, critérios centrados no uso da língua.

DICAS

Os gêneros textuais são como ferramentas que utilizamos em determinadas situações de comunicação.

Antes de começar a escrever, temos que tomar algumas decisões importantes relativas ao texto que vamos produzir: o objetivo do texto, a situação de uso, o leitor, o nível da linguagem, etc.

“A intencionalidade concerne ao empenho do produtor em construir um discurso coerente, coeso e capaz de satisfazer os objetivos que tem em mente numa determinada situação comunicativa” (COSTA VAL, 2006, p. 10). Por isso, produzimos textos orais e escritos de modo que o leitor/ouvinte possa compreender nossa verdadeira intenção, ou seja, que as palavras alcancem o sentido desejado. Veja o exemplo a seguir:

No cartum, você pode perceber que a intenção do personagem de boné é expor uma informação importante para o seu colega. Porém, se considerarmos a intenção do produtor do cartum, perceberemos que este faz uma crítica ao sistema de ensino, de vez que o outro personagem já havia lido a notícia, mas não tinha entendido.

A intenção é um fator pragmático segundo o qual cabe ao produtor do texto a escolha do gênero que quer produzir. Por isso, ele deixa marcas textuais para que o leitor possa entender a real intenção que tinha quando usou as palavras.

 

Intencionalidade

A aceitabilidade é a “expectativa do recebedor de que o conjunto de ocorrências com que se defronta seja um texto coerente, coeso, útil e relevante”, capaz de levar o leitor a adquirir conhecimento ou a “cooperar com os objetivos do texto” (COSTA VAL, 1999, p. 11). A cooperação é um princípio que rege toda a comunicação humana.

Esse princípio diz que se duas pessoas interagem pela linguagem, uma se esforça para ser compreendida pela outra e procura calcular o sentido do texto para o seu interlocutor. Partindo das pistas deixadas pelo locutor, o interlocutor ativa seus conhecimentos de mundo, do gênero textual, do contexto, para compreender o que o locutor quis dizer.

Mesmo que um texto não se apresente, à primeira vista, coerente ou não possua os elementos de coesão, o interlocutor vai tentar estabelecer a coerência necessária, apresentando uma interpretação que lhe seja cabível. A ação de atribuir ao texto coerência é realizada pelo interlocutor. Vamos tentar ilustrar a aceitabilidade por meio do seguinte poema:

Aceitabilidade

Subi a porta e fechei a escada. Tirei minhas orações e recitei meus sapatos.  Desliguei a cama e deitei-me na luz.

Autor Anônimo

CARA,

 OLHA QUE LEGAL!!

A TAXA DE ESCOLARIZAÇÃO

 DOS BRASILEIROS ENTRE 5 E 17 ANOS

JÁ PASSA DE 93%!

 VOCÊ LEU ESSA NOTÍCIA?!

 LI......MAS NÃO ENTENDI QUASE NADA!

Os três versos mobilizam alguns conhecimentos prévios para que haja compreensão, isto é, você coopera com o autor do texto para lhe atribuir sentido. Mesmo sabendo que a frase “subi a porta e fechei a escada” está errada, você poderia dizer que o autor está invertendo as palavras para que o leitor decifre como se fosse um código. Assim, a palavra “porta” deveria ser permutada com a palavra “escada”, resultando na seguinte construção: “subi a escada e fechei a porta”. Veja que você cooperou com a produção do texto para lhe dar sentido. Porém, se acrescentarmos os seguintes versos:

Existem certas ocasiões em que um texto pode estar bem construído, ser adequado a uma situação de comunicação e, em outras, está inadequado. Diante dessa afirmação, podemos perguntar: Em um outdoor, devem-se utilizar textos longos, com frases complexas? A resposta seria não. Esse gênero textual fica geralmente exposto à beira das estradas e, consequentemente, num local em que há tráfego de pessoas que não têm tempo para ler textos longos. Assim, a situação exige que o produtor se detenha a termos e expressões curtas e de fácil compreensão. Costa Val (2006, p. 12) afirma que a “situacionalidade diz respeito aos elementos responsáveis pela pertinência e relevância do texto quanto ao contexto em que ocorre. É a adequação do texto à situação sóciocomunicativa”. A relevância se refere aos enunciados que devem tratar de apenas um tema, ou seja, as frases escritas/orais não devem sair do tema ou do foco. A pertinência é a adequação das palavras e frases à situação comunicativa. Veja um exemplo de erro de relevância e pertinência:

Em 13 de junho de 2007, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, ao ser entrevistada sobre o que dizer aos turistas diante dos recentes problemas nos aeroportos pronunciou o seguinte enunciado: “Relaxa e goza porque você vai esquecer dos transtornos.”

Situacionalidade

SAIBA MAIS

Herbert Paul Grice (1913 a 1988), cujo trabalho foi grandemente influenciado por ambos os arcos da assim chamada curva linguística da filosofia do século XX. O primeiro arco - a variedade de tentativas de reformulação dos problemas tradicionais da filosofia como problemas de linguagem, incluindo a filosofia da linguagem ordinária, que Grice ajudou a desenvolver. O segundo arco recém desabrochado foi composto pelas tentativas de compreender os fenômenos linguísticos - incluindo a semântica filosófica, um campo que o trabalho de Grice continua a definir.

Logo, a frase foi pronunciada num contexto inadequado, perdendo sua relevância e pertinência. Esses três fatores mencionados estão interrelacionados e remetem a contextos de interlocução. Eles se desenham a partir do contexto sociocomunicativo, determinando, em grande medida, a constituição textual e a construção de sentidos. Tudo porque Ele me deu um beijo de boa noite... Autor Anônimo Logo, você veria o texto por outro prisma. Você teria uma nova interpretação do texto e, consequentemente, outra intenção.

A informatividade diz respeito à quantidade de informações existentes em um texto e se essas informações são esperadas pelo recebedor, se são conhecidas, tanto no plano conceitual quanto no formal. Um texto será menos informativo quando as informações forem mais previsíveis e, consequentemente, mais informativo quando ocorre o inverso. Por isso, Koch e Travaglia (2009) apresentam graus de previsibilidade da informação contida nos textos.

Para eles, se um texto contiver apenas informação previsível ou redundante, o grau de informatividade será baixo. Por exemplo: Um mais um é igual a dois. Esse enunciado parece óbvio para todo e qualquer leitor, pois as informações são previsíveis. Porém, quando vemos a expressão “um mais um” na música do Skank, podemos perceber que ela passa para um grau máximo de informatividade.

 

Informatividade

Um Mais

Um Skank Éramos nós

Éramos nós

Um mais um

Éramos mais

Que só dois

Éramos um

Feito de dois

Mais que nós dois

Nunca então sós

(Rodrigo Leão / Samuel Rosa Multishow Ao Vivo - Skank no Mineirão (2010) disco 2)

O uso da informatividade faz parte do conhecimento comunicacional dos sujeitos, de vez que, numa situação concreta, o interlocutor possa reconstruir o objetivo da produção do texto. Além disso, por um lado, é necessário que você considere que um maior nível informacional implicará numa menor previsibilidade e o texto com menor previsibilidade normalmente traz consigo maior complexidade para a construção de sentidos.

Por outro lado, um menor nível informacional implicará numa maior previsibilidade e o texto com uma menor previsibilidade tende a ser de mais fácil leitura, o que não significa necessariamente leitura mais interessante. Quanto maior for o compartilhamento de informação entre autor e interlocutor, tanto mais previsível tende a ser o texto em seu conteúdo informacional.

Os fatores pragmáticos que vimos até aqui nos permitem perceber que a produção e a recepção de um texto dependem, em especial, de elementos não-textuais. Na próxima seção, você verá que a intertextualidade é um elemento que apresenta marcas textuais, dependendo, todavia, de outros fatores.

Português resumido para concurso figuras de linguagem

IRONIA, METAFORA.


Figuras de linguagem são filhas da polissemia.

Figuras de linguagem tropos: Palavras tomadas fora de seu significado próprio, transposição de sentido.

METAFORA: Transferência de significado com base em uma analogia. Dois conceitos são relacionados por apresentarem algum ponto em comum, associação subjetiva, relação de semelhança.

 “Aquele meu marido é um cachorro”.

METONIMIA: Do grego “Metonymia” significa emprego de um nome por outro. Relação continua (substituição).

“Eu li Machado de Assis” você lê a obra do autor. A parte pelo todo.

CATACRESE: Figura que confere novo emprego a um vocábulo por falta de termos apropriados.

“Perna da cadeira”
“O dente de alho”

COMPARAÇÃO OU SIMILE: Associação subjetiva explicitada por algumas expressões “como” “tal, qual”.

“Essas meninas são tal qual o pai”

PROSOPOPEIA OU PERSONIFICAÇÃO: Atribuição de vida e vontade própria a seres inanimados.

“A natureza chora com a poluição”

EUFEMISMO: Forma suave de expressar uma mensagem seria ou grave.

“Sujeito dorme eternamente”

IRONIA: Dizer justamente o oposto daquilo que se pensa.

“Nossa como ele é inteligente”

ANTITESE: Oposição entre duas palavras ou idéias. Os conceitos se contrapõem, mas não se excluem.

“Amor é cristão, sexo é pagão”

PARADOXO: Idéias contraditórias.

“É dor que desatina sem doer”

SINESTESIA: Figura que trabalha com os diferentes sentidos, confundindo-os.

“Agora o cheiro áspero das flores, leva-me os olhos por dentro de suas pétalas”

FIGURAS DE SINTAXE OU DE CONSTRUÇÃO:

POR REPETIÇÃO: Polissíndeto, emprego reiterado de conectivo em uma construção verbal.

“Trabalha e teima, e lima, e sofre, e sua”

ANAFORA: Repetição de um termo no inicio de verbos ou frases.

“Que ninguém mais merece
Que ninguém mais deseja
Que ninguém mais precisa”

PLEONASMO: Repetição desnecessária.

“Vi meus com meus próprios olhos”

FIGURAS DE LINGUAGEM POR OMISSÃO:

ASSINDETO: Omissão de conectivos em uma construção verbal.

“Acorda para a morte, barbeio-me, visto-me, calço-me”

ELIPSE: Omissão de um termo não mencionado anteriormente.

“Ela esta passando mal, depressa um medico”

ZEUGMA: Omissão de um termo já mencionado.

“Nossas várzeas tem mais flores, nossos bosques tem mais cores, nossa vida mais amores”
 
 FIGURAS DE HARMONIA.

ALITERAÇÃO: Incidência expressiva de fonemas consonantais idênticos.

“Ivo vê a uva. Ivo vê a ave”

ASSONANCIA: Repetição de fonemas vocálicos.

ONOMATOPEIA: Ruidosa de animais e objetos.

“O zun zun que a abelha fazia”


Português resumido para concurso semântica

ironia



SEMÂNTICA: Estudo da significação das formas linguísticas.

Significado linguístico: Significante e significado.
Campos semânticos: Estabelecem a associação de um determinado vocábulo com inúmeros outros, a partir de significações correlatas que configuram dentro do contexto cultural em que a língua se insere.
Água: fonte, rio, lago, mar.
Carnaval: samba, frevo, maracatu, afoxé.

SINONÍMIA: propriedade de dois termos serem empregados um pelo outro, sem prejuízo do que se pretende comunicar.

Mais Geral e outro: moradia/casa.
Mais Intenso de outro: esgotar-se/cansar-se.
Mais afetivo que outro: mana/ irmã.
Mais literário que outro: gaio/ alegre.
Mais concreto que outro: bonito/ feio.
As palavras sinonímias podem até denotar o mesmo valor, mas não tem o mesmo sentido.
Palavras com o mesmo sentido têm radicais iguais.

ANTONIMIA: Propriedade de duas ou mais palavras apresentarem significações diferentes.

LUZ ≠ TREVA.

HIPERONIMIA: Palavras de sentido geral que inclui variam outras de sentido especifico. (Geral).

ÁGUA – Hiperonímia de – FONTE, RIO, LAGO, MAR.

HIPONIMIA: Palavra que indica cada parte de um todo, as palavras hiponímias apresentam um sentido mais especifico, enquanto as hiperonímias mais geral.

FONTE, RIO, LAGO, MAR – Hiponímia de – ÁGUA.

PARONIMOS: Palavras que são semelhantes na pronuncia e na grafia, mas diferentes no sentido.

RETIFICA ≠ RATIFICAR.
O gato “DESFIOU” o fio/ Igor “DESFEIOU” com o passar do tempo.

HOMONINIA: Propriedade de duas ou mais formas distintas (Significação, classe gramatical ou função sintática) terem a mesma estrutura fonológica.

HOMOGRAFIA: As palavras possuem grafia idêntica, mas pronuncia e significados diferentes.

O chão esta “SECO”/ Deixa que eu “SECO” o chão.

 HOMOGRAFIA: As palavras com grafia e sentidos diferentes, mas a mesma pronuncia.

 O “PAÇO” fica na praça XVI/ O primeiro “PASSO” foi dado.

HOMONIMIA PERFEITO: Grafia e pronuncia igual, mas significado diferente.

Ele chegou “SEDO”/ Eu não “SEDO” um milímetro.

POLISSEMIA: Poli = vários/ ssemia = sentido. Capacidade que a própria palavra possui de assumir várias significações somente definidas e precisadas dentro de um determinado contexto.

 O Martini derrete o “GELO” (acaba com o nervosismo, com a timidez...).

DENOTAÇÃO: É a significação objetiva da palavra; é a palavra em “estado de dicionário”.

CONOTAÇÃO: É a significação subjetiva da palavra, ocorre quando a palavra evoca outras realidades por associação que ela provoca.


Português resumindo para concurso novo acordo ortográfico

Português resumindo para concurso novo acordo ortográfico



Em 2013 o novo acordo foi implantado.

Previsto para vigorar em 01 de janeiro de 2016.

A academia Brasileira de letras é responsável por implantar o novo acordo ortográfico.

Português de Portugal  + línguas indígenas + línguas bantas (Africanos) deram origem ao Português do Brasil.

O “K”, “Y” e o “W” foram inseridas no novo acordo ortográfico ao nosso alfabeto que antes tinha 23 letras agora com 26.

O “K”, “Y” e o “W” foram aceitos na língua portuguesa de acordo com o novo acordo ortográfico para: nomes de pessoas, siglas e palavras estrangeiras incorporadas a nosso idioma.

O novo acordo veio para unificar uma língua que é falada em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe. É também uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial (com o espanhol e o francês), de Timor-Leste (com o tétum) e Macau (com o chinês). Tornando assim mais formal e coesa a relação dos países de língua portuguesa com o mundo.